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Como a questão da não dependência torna-se um critério fundamental para se conseguir uma boa qualidade de vida? Esperamos que com essa leitura você saiba mais sobre esse assunto.

O que é família?

Um sistema vivo e uma entidade composta de elementos em interação, em evolução no tempo e a partir dos acontecimentos.

A família como sistema aberto deve, simultaneamente, manter um estado de equilíbrio interno (homeostase) e modificar-se para se adaptar às mudanças internas e externas.

Uma família é um conjunto de pessoas em interação e não pode ser percebida apenas a partir das características individuais ou da personalidade de cada um de seus membros.

O que caracteriza uma família é, sobretudo, a natureza das relações entre seus componentes, ou seja, a forma como interagem e como estão vinculados nos diferentes papéis e subsistemas. Uma pessoa da família não pode mudar sem mobilizar mudanças nas outras.

A família em constante evolução

A família, constantemente, precisa adaptar sua estrutura às mudanças relacionais inerentes ao ciclo de vida e também a outras mudanças referentes ao contexto social mais amplo ou, ainda, às situações específicas de cada membro.

Tais modificações passam pela transformação das regras internas de comunicação. Um “disfuncionamento” relacional que se traduz por sintomas atribuídos a uma ou a diversas pessoas é o sinal de uma crise.

A perspectiva sistêmica da crise aponta sua dimensão transformadora na medida em que esta revela a condição de saturação do sistema no seu modo atual de funcionamento.

A crise desequilibra o sistema rumo ao imperativo de sua evolução, promovendo um salto qualitativo com relação à estrutura anterior.

A família e a dependência química

Devido à relação simbiótica com a droga, marcada por perdas e destruições, esta questão atinge não apenas o dependente, mas todos que, direta ou indiretamente, têm relações com ele.

Grande parte da sociedade sofre com a ampliação do uso abusivo das drogas, especialmente os dependentes e seus familiares, pois sofrem perdas e prejuízos em sua saúde física, mental e social.

Os familiares, especificamente, sofrem por terem um laço afetivo muito forte e por serem vistos como corresponsáveis pela formação dos filhos, estando diretamente atrelados ao seu desenvolvimento saudável ou doentio.

A convivência com o usuário de drogas é uma via de mão dupla, que é afetada na medida em que a dependência química evolui e se desenvolve. Coletivamente, a família é a primeira a ser afetada em sua dinâmica funcional e organizacional

Dessa forma, o adoecimento dos filhos abala profundamente a autoestima dos pais, uma vez que significa que houve falhas nas idealizações e projeções sobre o poder da família em ordenar trajetórias dos próprios filhos.

A constatação de uma doença pode gerar um desequilíbrio em toda a estrutura familiar, ocasionando uma quebra do vínculo entre os seus membros, que são levados a vivenciar profundas mudanças em suas vidas.

Nesta situação, tornam-se comuns os conflitos emocionais, a depressão, o sentimento de medo e as incertezas relacionadas ao prognóstico e ao tratamento.

Além disso, ocorrem preocupações com a condição financeira, propiciando uma quebra da rotina e uma sobrecarga familiar.

Relação familiar e o dependente químico

Os problemas enfrentados pelos familiares de dependentes de drogas ocasionam desentendimento e fragilização nas relações interpessoais.

Essas situações são reveladas por sentimentos mais diretamente ligados ao âmbito emocional como ambiguidade, impotência, ansiedade, medo, sentimento de culpa, decepção, frustração, depressão, e outros problemas relacionados às situações rotineiras do dia a dia.

Dentre outros prejuízos, o distanciamento dos amigos e a redução das atividades sociais, com consequente comprometimento da qualidade de vida, são vivenciados tanto pelo familiar quanto pelo dependente de drogas.

Qualidade de vida

O conceito de qualidade de vida, que já tratamos aqui está ancorado em pressupostos científicos apropriados, como os recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

Uma vez mediado pelo senso comum, ele incorpora vários aspectos da existência do indivíduo – como emprego, família, ambiente e outros -, que devem ser considerados condições úteis para a saúde.

Percebe-se que os familiares fazem referência a uma vida bem estruturada, o que implica o acesso à educação, moradia, segurança e saúde, entre outros aspectos que compõem o proposto pela OMS.

Mas quando essas famílias representam tal qualidade de vida, estão se referindo a uma condição que gostariam de vivenciar sem a presença da droga, ou seja, enfatizam a questão da não dependência como critério fundamental para se conseguir uma boa qualidade de vida.

Na presença da dependência química, toda a estrutura familiar pode estar abalada, porém, os familiares sofrem graus variados de aproximação e de distanciamento, frente aos impactos negativos desse comportamento.

Comumente, na família, um membro assume o papel de cuidador, sendo esse a pessoa mais diretamente ligada ao cuidado e/ou afetivamente ao dependente de drogas, condição que não somente afeta diretamente a qualidade de vida como predispõe o surgimento de sintomas depressivos no cuidador.

Com relação ao familiar de usuário de crack, são identificados alguns sentimentos que remetem à vontade de ajudar, à tolerância, ao desespero, à raiva, ao medo e à impotência, diante da droga.

Por muitas vezes, os familiares dos sujeitos que estão à mercê do vício acabam por manterem uma postura equivocada com o intuito de proteção, visando à sobrevivência dos indivíduos, tornando-se cúmplices na aquisição da substância, para manter, em última análise, a vida.

Fatores que influenciam no processo de dependência da droga

Entre os fatores preponderantes que influenciam neste processo, apresentam-se interveniências de ordem positiva e de ordem negativa que, de alguma maneira, contribuem para a sobrevivência e manutenção do vício.

A imagem construída, muitas vezes de forma negativa, somado ao preconceito, ao medo e à aversão ao usuário de crack toma proporções que figuram a demonização do viciado.

A existência de terapias, envolvendo equipes multiprofissionais, que têm como objetivo não somente a recuperação, mas também a inserção social destes sujeitos, tem papel fundamental.

Entre os vários aspectos apresentados pelos familiares acerca do fenômeno crack e diante das condições de incertezas, as estratégias de sobrevivência da própria família perpassam as mais variadas ações.

O papel da crença religiosa

Na busca de alternativas para que a convivência com esta situação seja possível, a religiosidade aparece como um fator importante e animador.

A religião exerce um papel fundamental no processo de prevenção e no tratamento de drogas, contemplando, tanto os usuários quanto os familiares que vivenciarem momentos traumáticos, desde o início da dependência da droga até a reinserção social.

Uso da violência

A violência surge como busca desesperada pela conscientização, como uma medida punitiva pelo uso do psicotrópico.

A agressão física é vista como uma medida de alerta, que é realizada no intuito de evitar a aproximação com a droga, julgando entre o certo e o errado o uso da droga.

Não havendo a possibilidade de diálogo e esta sendo uma tentativa sem sucesso, a resposta, por meio da violência, proporciona uma impotência familiar diante do contexto.

Em geral, o uso de drogas traz muito desconforto, sofrimento psíquico e crises no sistema familiar. Normalmente, a procura de tratamento para a dependência ocorre nestes momentos.

Tratamento da dependência

A pessoa que está usando droga busca tratamento “por livre e espontânea pressão”. Outras vezes, algum familiar procura auxílio para “alguém” de sua família que está com problema de uso de drogas.

No contexto de escolher o melhor tipo de tratamento a depender da condição biopsicossocial do dependente químico, qualquer atitude tomada por iniciativa dos familiares pode ser percebida de forma agressiva por parte do usuário de drogas. É uma tendência natural, pois isso vai reprimir sua liberdade de expressão e poder de decisão quanto ao tipo de intervenção.

Não obstante, na maioria das vezes, os familiares não sabem a maneira adequada de agir, e podem ou protelar por tempo excessivo a ação que deve ser tomada, negligenciando o tratamento, ou se precipitar com atitudes impositivas, de maneira agressiva.

Existe uma relação direta entre o comportamento do dependente no convívio familiar e a responsividade da família como reação a esse comportamento.

Eles se reforçam mutuamente em uma relação que pode ajudar no desenvolvimento ou no agravamento da doença da dependência.

A família tem uma grande parcela de responsabilidade no tratamento e isso deve ser considerado; aliás, é mesmo imperativa a participação da família no processo de recuperação do seu ente.

Esse processo de recuperação raramente se sustenta sem a efetiva participação familiar.

O uso de psicotrópicos é um aspecto relevante, pois, de maneira direta ou indireta, acaba por afetar todos os integrantes deste meio.

O conflito na família surge como uma das principais consequências do uso do crack, visto que afeta profundamente as relações, a convivência e a interdependência entre seus componentes.

No entanto, maior efetividade nas políticas direcionadas para a reinserção social e ocupacional dos usuários e apoio a seus familiares, visto que o combate a cocaína/crack somente será possível diante de estratégias sistêmicas, que envolvam as múltiplas relações e interações sociais.

São necessárias intervenções imediatas de desintoxicação do usuário, garantia de apoio aos demais membros da família, acompanhamento domiciliar, entre outros, de acordo com a realidade vivenciada por cada grupo.

Clínica Vale Viver

Trabalhamos há 10 anos no tratamento da dependência química, reinserção social e familiar.

Oferecemos um serviço especializado para tratamento de dependência química, outras compulsões e saúde mental com uma visão interdisciplinar  e criteriosa, abordando os aspectos biopsicossociais.

Precisa de atendimento? Conte com a nossa equipe especializada. Ligue e agende uma consulta: Ligue: (71) 3623-4848 / 99380-0102.

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